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  • Carlos Eduardo Amaral Gennari

Cesárea a pedido

A via de parto preferencial sempre deverá ser a vaginal, salvo quando o uso da cesariana for benéfico. Esta afirmação, que em princípio parece ser de fácil entendimento e operacionalização, é extremamente complexa pelo fato de não existirem trabalhos científicos que demonstrem (sem deixar dúvidas) a excelência de qual via de parto deve ser escolhido para as diversas situações enfrentadas no dia a dia pelos obstetras.

Conclui-se portanto, que no atual nível de conhecimento qualquer afirmação assertiva sobre este tema será simplesmente uma opinião pessoal. A cesárea a pedido da mãe é definida como a cirurgia praticada por solicitação materna, sem qualquer indicação obstétrica. Não deve ser confundida com a cesárea eletiva, praticada antes do trabalho de parto, com a bolsa íntegra, mas onde há indicação médica.Até o momento não existe nenhum estudo adequado sobre o tema e o resultado de estudos clínicos, comparando cesárea por indicação médica e parto vaginal, não podem ser extrapolados para o caso em questão, pois certamente haverá falsas atribuições de insucessos atribuídos à cesárea, decorrentes de fatores clínicos ou obstétricos pré-existentes.

Concomitantemente, não podemos deixar de ter em mente que as indicações de cesariana atualmente são muito mais amplas que no passado, com vários outros fatores sendo levados em conta e dentre eles a preferência da cliente e a judicialização da medicina. Os estudos observacionais sobre o assunto não permitem concluir sobre a superioridade de uma via em detrimento da outra e por causa disso cresce em importância a discussão da possibilidade da cesariana somente por pedido materno, sem qualquer causa médica.

Isto ocorre porque as diferenças entre partos vaginais e cesarianos em relação a desfechos importantes como morbidade e mortalidade do recém nascido e da mãe são muito pequenas, tendendo para um ou outro lado, principalmente quando a cesariana é realizada com fetos a termo com mais de 39 semanas.

Intercorrências maternas comparando a cesariana a pedido e parto vaginal:

Mortalidade materna - não há diferença

Infecção - maior risco na cesariana

Hemorragia/transfusão de sangue - maior risco no parto vaginal

Retirada do útero - sem evidência

Embolia - sem evidência

Lesão perineal - maior risco no parto vaginal

Dor pós parto - sem evidências de diferença

Permanência hospitalar - maior com cesarianaI

continência urinária - maior taxa com parto vaginal

Placenta prévia em outra gravidez - maior risco com cesariana

Função ano retal - evidências inconsistentes

Intercorrências com o recém nascido comparando a cesariana a pedido com parto vaginal:

Mortalidade fetal - sem evidência

Prematuridade - inesperada sem evidências

Morbidade respiratória - maior com cesariana. Risco diminui com aumento da idade gestacional e se iguala após 39 semanas

Lesões cerebrais - maior no parto vaginal

Lesão do nervo facial - maior risco no parto vaginal com fórcipe

Lesão do plexo braquial - maior risco no parto vaginal

Permanência hospitalar - maior com cesariana

Recomenda-se que a cesariana por pedido materno somente deverá ser realizada quando constatadamaturidade do bebê e sempre que possível após as 39 semanas de gravidez, e nunca em mulheres que desejarem ter vários filhos.

#cesária

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